Elaine Tedesco

Guaritas, projeções e observatórios

As Guaritas fazem parte do meu imaginário. Na praia que eu freqüentava, quando criança, existiam várias guaritas de salva-vidas feitas de madeira, eu costumava ficar ali dentro olhando a imensidão do mar. Essa imagem lúdica e poética das guaritas que guardo na memória sofre um movimento de tensão enquanto fotografo as guaritas de vigilância na situação urbana atual. Quando elaborei o primeiro projeto que envolvia a idéia de cabines, as Cabines para Isolamento (1998-2000) passei a fotografar as guaritas apenas como documentos. No início essas fotografias eram referências para os objetos e as instalações que eu criava, interessavam-me as situações absurdas desses objetos/caixas/casas feitos sob medida para proteger os vigilantes, mas onde não lhes é permitido dormir, só anos mais tarde essas referências tornam-se uma série fotográfica.

Iniciei o trabalho com as projeções no espaço urbano em 2002, durante o projeto AREAL, destaco como aspectos significativos dessa série de intervenções urbanas a sobreposição imprecisa entre a imagem projetada e o anteparo escolhido, o que provoca, temporariamente, uma dupla transformação.

Nos Observatórios o que está em primeiro plano é o deslocamento constante entre ser observador e ser observado e os trânsitos entre vigília e vigilância. Nessas instalações existe uma relação indireta entre a construção criada e as imagens projetadas.

Guarita de projeção, Pelotas, 2006
Guarita R, 2007
Projeção Série Guaritas, foto Paula Sampaio, Belém do Pará, 2005
Jardim noturno, 2010
Montagem S- 3, projeção na fachada da galeria Leme, 2008
Observatório de pássaros, Fundação Iberê Camargo, fotografia Fábio DelRe, 2008
Observatório 4SGP, Sam Art Projects, Paris, 2010
Observatório 4SGP, Sam Art Projects, Paris, 2010
Observatório 4SGP, Sam Art Projects, Paris, 2010